10 de abr. de 2013

6 de abr. de 2013

Imagem aparente


A inspiração de escrever tem passado. Mas não de se emocionar. Ou seria a sequência dos eventos que tem atravancado o caminhar das palavras. Tenho mudado a minha voz, rara nos últimos dias, e também meus segredos. Segredos. Ah, os segredos. E a beleza de decifrá-los em mim e em você.  É incrível o quão obscuros somos diante de nós.  Esqueça: gordura, ossos, músculos, veias, cavas ou não. 65% Oxigênio. E 18 % Carbono. Somos tão mais misteriosos que estas estatísticas comunistas. Um poço, profundo, eterno. Marcado e talvez nunca regenerado. Se cavado até o âmago dos túmulos, somos vontades adiadas. Deleites antecipados. Uma flor sem limites, um manicômio de criaturas. E ainda afirmam dos 10% de Hidrogênio.  Se a revelação viesse com verdade, sem pudor, não alcançaríamos os nossos gemidos e nosso ignóbil silêncio. Dói, olhar para o mundo e ver essa viscosidade sem vida. Suas tristezas solidificadas, o que não mudam com a ordem geográfica.  Essa é a nossa grande unificação, nosso laço mais estreito e sem fim: a dor de existir do resto humano que usa cocaína com bicarbonato de sódio nas estações de metrô, brasileiras e europeias, é a mesma do businessman, aparentemente blindado, que dirige seu Porsche Panamera pela avenida que uma senhora observa, de sua janela, a frenética movimentação dos cadáveres.  Se vive em vão. No peito, nem sonho. A vida maltratada ou mal escolhida. E o mesmo soluço e nunca o encontro. Dói.

5 de fev. de 2013

Gewinner

Abre aspas

Ich bin dabei, du bist dabei.
Wir sind dabei, uns zu verlieren.

Fecha aspas

23 de jan. de 2013

Sobrevivente


Como quem não acredita na sobrevivência da hora do encontro, não por medo ou fuga, não por não sentir-se desamparado, nem mesmo pelas dores que a tardinha doíam,  já não era mais no mesmo compasso que batia a canção.  Já não acreditava que nem mesmo Vinícius desse qualquer solução.  Já não sabia mais onde estava o limite daquele mar, com aquele tamanho, com  aquele vento, aquele beijo,  que nunca mais esperou seu coração.  

10 de dez. de 2012

Veleiro



 No leito do meu veleiro
Seus olhos se deitaram
Com a tua boca fina
No fio do meu olhar
E nos teus braços de tempestade
Me ancorei
E mais nenhum redemoinho
Foi capaz de me afundar
Na beira
Do teu mar. 


2 de dez. de 2012

Agora

E no momento — como dizer? — de certa forma eu estou gostando de estar me sentindo assim, desamparado. Porque é como um teste. Agora eu quero ver como eu me viro, entende? E sozinho.


                                                    Caio Fernando Abreu. Carta a Vera Antoun

13 de nov. de 2012

Hoya Shepherdii


No coração hospedava uma espécie rara de trepadeira, que não se fixava fácil. A trepadeira era mais indicada para o uso vertical, por meio, talvez, e se me lembro bem, de ventosas. Tentou aderir às superfícies, ainda inibida pela solidão que tudo que é  novo traz, e foi se espalhando, como se espalham os ventos violentos no sertão.  Feito a ressaca do mar. Se enveredou, com nada nas mãos, com mil horas num dia, mil as formas de se viver.  E se refazia, conhecia, tateava cada centímetro daquilo que agora estava dentro, in. E era bom, como um samba de Vinícius de Moraes, e pelo que há dentro, no fundo em nosso ser, acordo pensando que a trepadeira, na verdade,  era um simples abraço seu.


22 de out. de 2012

Solidão

 
Estás todo em ti, mar, e, todavia,
como sem ti estás, que solitário,
que distante, sempre, de ti mesmo!

Aberto em mil feridas, cada instante,
qual minha fronte,
tuas ondas, como os meus pensamentos,
vão e vêm, vão e vêm,
beijando-se, afastando-se,
num eterno conhecer-se,
mar, e desconhecer-se.

És tu e não o sabes,
pulsa-te o coração e não o sente...
Que plenitude de solidão, mar solitário!

Juan Ramón Jiménez

16 de out. de 2012

Dos conselhos

Todos os dias devíamos ouvir um pouco de música, ler uma boa poesia, ver um quadro bonito e, se possível, dizer algumas palavras sensatas.

 Mergulhar corajosamente na espessura da vida e aproveitá-la onde você for, é sempre interessante.
 
 

Goethe

12 de out. de 2012