No
coração hospedava uma espécie rara de trepadeira, que não se fixava fácil. A
trepadeira era mais indicada para o uso vertical, por meio, talvez, e se me
lembro bem, de ventosas. Tentou aderir às superfícies, ainda inibida pela
solidão que tudo que é novo traz, e foi
se espalhando, como se espalham os ventos violentos no sertão. Feito a ressaca do mar. Se enveredou, com
nada nas mãos, com mil horas num dia, mil as formas de se viver. E se refazia, conhecia, tateava cada
centímetro daquilo que agora estava dentro, in.
E era bom, como um samba de Vinícius de Moraes, e pelo que há dentro, no
fundo em nosso ser, acordo pensando que a trepadeira, na verdade, era um simples abraço seu.
Percurso
-
*Jude Mooney*
Em cada ser, repara
a dança
que, na sombra, prepara a
mudança.
Em tudo quanto muda,
alcança
aquilo que não muda na
mudança.
Duda Machado,...
Há 2 semanas
