14 de jun. de 2012
Nosso mistério
13 de jun. de 2012
Poema em V
às vezes da vida
o sopro pouco
da vida leva um
vem, vem,
infla do vento
o peito a volta
e se às vezes
esvai
Piéra Varin
1 de jun. de 2012
Sóis
O sol brincava no horizonte
E o danado
Na sua idiossincrasia
Como um pássaro
Quando quebra o ar
Saltou
Imenso
Pelo canto esquerdo
Da janela.
5 de mar. de 2012
O vento
Pousava nos galhos das arvores, o vento. Ele vem dos altos trópicos, sorrateiro, criado em regiões de alta pressão, pressentida até mesmo pelo coração. O vento mostra para aquele homem que nenhuma ilusão deve preceder a realidade, pois, pare ele, os sóis luminosos já se apagaram. Na vida dele não cabe mais o destino, ele está esgotado pelas experiências. Ele parece um grande lago congelado após um rigoroso inverno. Ele é profundo. Canta às vezes, todos os sábados. Gosta de Jazz e do seu trabalho. Vai de carro ao mercado, pois o frio impede caminhadas de mais de cinco minutos. Acredita em horizontes e prefere os verões. Cabe-lhe o sagrado, uma das heranças da família. Gosta de escrever cartas e leva uma lua crescente no coração.
21 de fev. de 2012
Verdade
18 de fev. de 2012
Ateu

Um velho ateu
Um bêbado cantor
Poeta
Na madrugada
Cantava esta canção seresta
Se eu fosse Deus
A vida bem que melhorava
Se eu fosse Deus
Daria aos que não tem nada
E toda janela fechava
Pros versos que aquele poeta cantava
Talvez por medo das palavras
De um velho de mãos desarmadas
18 de jan. de 2012
Solstício
La Vague - RenoirBem sucedidas são as almas do de repente, suscetíveis aos ventos setentrionais, que estão suspensas sem fim, como um barco que é sustentado pelas águas do mar. Soa lá fora o agora que já se foi, e um feixe de sol suspira sobre a superfície da pele a ensinuar que o acaso sacia nossa sede. E o despertar do dia suspende o mistério a esclarecer que o tempo e a vida se encarregam de acalmar o corpo, enquanto que o destino sopra o mar e o barco para longe.
11 de jan. de 2012
Dos Pampas
feche a porta, esqueça o barulho
feche os olhos, tome ar: é hora do mergulho
eu sou moço, seu moço, e o poço não é tão fundo
super-homem não supera a superfície
nós mortais viemos do fundo
eu sou velho, meu velho, tão velho quanto o mundo
Engenheiros do Hawaii



