19 de nov. de 2010

Dia de céu

Filme: Abril despedaçado - Walter Salles


Aquele que chega e que vai
Aquele que se perde
E que é renúncia
Aquele que ressoa
Ao amanhecer
Aquele que é cheio
De um abraço
Às vezes convexo
Que pouco sabe
Por vezes ventos do sul
Por vezes sopro brando
Aquele que é finito
E que tem nos olhos
Uma lua-cheia
Sempre que falta
Luz
No coração.

16 de nov. de 2010

Que tudo seja leve.

A impressão do por-do-sol, Monet.


Tenho tido dias esplêndidos
E gostado de ser
Ora calmo e profundo
Ora janela
Pra ver o sol nascer.

15 de nov. de 2010

Amanhã

Filme: Não olhe para baixo, de Eliseo Subiela.


Tenho sido muitos. Eu-mesmo fica pra outro tempo, hoje não.

11 de nov. de 2010

Pêut-Être

Foto: filme L'homme de sa vie

Os rumores do mundo
(O amor, a angústia, o desespero)
E a Bósnia-Herzegovina
Tal como se não fossem
Extirpam os nossos olhos
Que passam a ver as manhãs
Onde acordamos
Com abstinência de humanidade
E com o talvez
Atravessado na certeza
Da fruta-fresca
Em cima da mesa.

19 de set. de 2010

Atrás do mundo

Viver é extraordinário

Pensava

Roubar da vida a doçura

Em meio às tragédias e desnaturezas

Redescobrindo sentimentos ocultos

E caminhos perdidos

Fazendo disto sonho e mistério

Para aprender que os caminhos

Não estão no mundo

Estão em mim.

5 de ago. de 2010

Devanear

E quando o corpo reage por conta própria, interrompe as horas esperando cuidados e reflexões num processo de alarmar a consciência?

Pois sempre é tempo de esquecer as necessidades básicas de sobrevivência, mergulhar em nossas profundezas e voltar num fim de tarde mais humano e em carne viva.

6 de mai. de 2010

Trajetória

Com os cadarços desamarrados, o par de sapatos espera. Espera até que o sonho chegue e embalado no sono ele corre pela noite e pelos cantos do quarto, cria primaveras e outonos, espalha folhas pelo chão, fala de amor, solidão, do mundo, de acender e apagar a vida.

Adaptável na sua vida de sapato busca a luz da cidade que escorre leitosa pelo vidro da janela, e passa a caminhar por entre pessoas, ruas e céus até então desconhecidos.

Cansado da peregrinação encontra um canto confortável numa esquina qualquer para aliviar os pés que doem, e caminha agora descalço, observando na sola do sapato as lembranças dos caminhos. Pondera ainda entre seguir ou voltar, mas vê que o laço que o prende àquela estrada e àquela sola de sapato é um velho sonho que explode todas as manhã no centro do quarto.


28 de fev. de 2010